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terça-feira, 13 de janeiro de 2015



Existo?

Leve sensação de inexistência
Crescendo na multidão que circunda
Um corpo velho. Agora se afunda,
Mergulha na sua própria essência.

Como um cadáver recentemente jacente,
O calor não é sinal de alento
Indica só o fim de um evento.
Parece estar aqui, embora ausente.

Será que sou algo?
Será que existo?

Miguel Coelho






Aguardo

Aguardo por ti mais um pouco.
Neste dia que representa a eternidade
Recordo o gosto dos teus lábios. Ai! saudade!
A espera incessante faz de mim louco.

Vigio a chuva que cai lá fora
Na vã esperança que te traga.
Contigo aqui desvio-me da fraga,
Contudo não vens e o dia demora.

Observo outra vez o bilhete escrito,
Procuro nele uma palavra oculta
Que me tire deste deserto infinito.

Miguel Coelho






O amor da minha mãe

O amor da minha mãe é burlesco.
Deixa-me sem jeito com o seu olhar.
Sou um filho que não necessita cuidar,
Porém em mim só vê o parentesco.

O amor da minha mãe é peculiar.
Adivinha que não há amor igual,
Alguém com semelhante afeto, nem sinal.
Quem mais me poderá amar?

Embrulhado nas palavras penso na criança,
Que de se libertar tinha a esperança.
Poder medrar e ser independente.

Paulatinamente, perdeu-se no feitiço da dança,
Contudo, algo nunca lhe saiu da lembrança.
O sabor daquele elo permanente. 

Miguel Coelho
 



 
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