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terça-feira, 28 de agosto de 2012


Céu de Agosto


Como leite vertido em pedra negra.
Percorre docemente o céu noturno.
Ilumina o caminhante mais taciturno.
Tu! Via láctea, companheira íntegra.

Perco-me… Não foges, cumpres a regra.
O vasto céu orienta o meu turno…
Revejo estrelas e o distante Saturno.
E tu “polaris”! Fixa… Ainda à espera?
 
Ah! Como tudo em ti é ordenado e belo,
Com estrelas, não mais do que pontos
Cortando o fundo escuro como um cutelo.

A tua infinidade aquece o meu coração,
Mergulho nos teus antigos contos,
Envolves-me na doce teia da sedução.


Miguel Coelho




sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Morte

Bem-aventurada sejas, oh morte.
Aparecendo de entre a escuridão.
Vem! Possui-me, que eu não tenho sorte.
Leva-me para a imensidão.

Sinto que não possuo nada meu.
Nada vejo que me faça ficar cá.
Célere passagem leva-me para lá.
Encontra espaço para um ateu.

Estranho este sentimento obscuro.
Luto contra ele, mas sou imaturo.
Agarro-me às raízes! Rendo-me, caio.

Bato nesse chão, sinto o seu odor.
Como um animal deslizo no meu suor.
Levanto-me… Tento mais um ensaio.

Miguel Coelho






quinta-feira, 23 de agosto de 2012


Ai Alemanha

 
Ai! Alemanha… Que arrogância a tua!
Escondida em financeiras artimanhas,
“Endireitas” os países até às entranhas.
Nem com austeridade a miséria recua.

Quiseste a Europa… Quem sabe… A lua…
Conquistaste povos, enormes façanhas!
Iludiste-te com o chão, dessas campanhas,
Mas perdeste a guerra! Não foi só uma….

Como fénix renasceste das cinzas,
Forte como hércules, bela como ninfas.
Mesmo dividida apontaste o caminho.
 
Pedes um esforço… Pobre… Nada tem!
Retorna para a mãe, de ti só desdém.
Portugal vergou-se! Eu não alinho…

Miguel Coelho




quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Os teus olhos


Perco-me no amendoado dos teus olhos,
Feiticeiros! Fixam-me no doce encanto.
Por vezes… Rompem-se num amargo pranto,
Mas sempre, vejo felicidade… Aos molhos?

Tento entender mais do que o seu encanto.
Parece fácil, só são dois pimpolhos,
Que se escondem por trás dos folhos,
Da cortina invisível que não levanto.

Escondidos tua alma não vejo,
Mas foge comigo, para algum lugarejo.
Vem respirar a brisa e sentir o caminho.

Se duvidares de mim, do meu amor,
Foge da mesma forma, sem temor.
Olha nos meus! Não me deixes sozinho.

Miguel Coelho





segunda-feira, 13 de agosto de 2012


Metade de mim

Abjeto ente, mesquinha tristeza,
Pobre angústia, alegria passada.
Dos distantes… Não ansiava nada,
De ti, meu idêntico, só nobreza.

Brotaste em segundo… Fina crueza!
Magro e escuro de fraca passada.
Embarcaste comigo nesta jornada…
Com infância feliz, cercado de pobreza.

Sempre juntos, conhecemos florestas,
Construímos jogos, limamos arestas.
Crescemos depressa! Algo em nós mudou.

Ganhei no saber e tu neste mundo.
Ator secundário refugiado no fundo.
Saí da sombra! O conflito começou.

Miguel Coelho


sábado, 11 de agosto de 2012


México

Cruzei o atlântico nas asas de um avião,
Levando a ilusão de Gama e Cabral.
Aterrei num mundo da cor do quetzal,
Abraçando o maia como meu irmão.

Despertei rodeado de sons estranhos.
Um continente novo! Não espero.
Vejo tartarugas, me enamoro.
O sol aquece a alma! Vou a banhos.

Provei os sabores da Riviera Maia,
Da mulher pequena e florida saia.
Ouvi as lendas de um povo místico.

Inebriei-me com o som do Mariachi.
Viajei ao passado em Chichen e senti,
No meu íntimo também sou México.

Miguel Coelho








Chichen Itzá





sábado, 4 de agosto de 2012


Gota de água

Da serrania brota a jovem gota,
Seguida por milhões de irmãs.
A longa jornada de muitas manhãs,
Começa no riacho que define a rota.

Algumas não seguem viagem,
O Sol aquece-as, unem-se em nuvens.
Arrefece, cristalizam em estrelas virgens.
A nossa gota completa essa imagem.

Acorda aos primeiros raios de sol,
Já não flutua no azul do firmamento,
Agora, cintila na carapaça de um caracol.
Mas sente a frieza do isolamento.

Devagar, desliza do pequeno molusco.
Desprende-se, cai, ressalta numa folha.
Um inseto desvia-se num gesto brusco,
Mergulha no solo como se tivesse escolha.

Miguel Coelho


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