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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Sozinho

Na berma da estrada espero um sinal,
Perdido em mim aturdido com barulho.
Sinto o respirar fundo antes do mergulho,
Espero por algo nesse segundo fatal.

Não fico só por vontade ou ideal,
Mas perco-me no doce marulho.
Não me deixo levar pelo embrulho,
Desse tema novo do mundo atual.

Como a tundra erma no frio Inverno,
Gelo por dentro, paro e hiberno.
Sinto que existo apesar da dor.
 
Por vezes, simulo estar acudido,
Com uma multidão ao meu redor.
Esqueço-me de sair! Sou esquecido.

Miguel Coelho


terça-feira, 18 de dezembro de 2012


O silêncio das tuas palavras

À noite, bem à noitinha observo-te.
Imbuída em sonhos encontras o meu braço,
Apertas forte, roubas-me o espaço.
Antes de adormecer, mais uma vez fixo-te.

Desejo decorar a forma da tua figura,
O rasgo do teu olhar, a trama da tua pele.
Temo deixar de ser teu e passar a “aquele”,
Não mais puder sentir a tua doçura.

Nesse momento enquanto divagas,
Ouço o silêncio das tuas palavras.

Miguel Coelho


sábado, 15 de dezembro de 2012


Neandertal

Outrora numa terra sem Verão,
Viveu uma criatura rude e valente.
Não dominava a arte nem a semente.
Sem saber esperava o africano irmão.

Habitou o mundo dos nossos pesadelos,
Fugindo de monstros com dentes famintos.
Apesar de serem como nós, mas distintos,
Sucumbiram debaixo dos nossos cutelos.

Chegou a extinção mas ficou um vestígio,
Nas nossas células deste prodígio.

Miguel Coelho


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Devaneio

Inevitavelmente espero por ti.
Anseio que me sigas, que percas a razão.
Que me sintas dentro do teu coração,
Simplesmente que me ames…
Eu amo até o mais inútil dos teus gestos,
Mas…
Não passo do amigo de sempre,
Do amigo para sempre.
Eu quero-te tanto,
E sou transparente.

Miguel Coelho




Corte

 
Cortas aqui, ali e talvez acolá,
Cortas o ânimo e até a veia.
Tapas os olhos, atiras com areia,
Porém mais cortes, afirmo. Não dá.

Já foi o tempo do miraculoso maná,
Da ilusa abundância, da boca cheia.
Da luz num clic! Agora numa candeia.
Hoje vai a carne, amanhã o osso, quiçá.

Ficaste hábil na arte do corte,
Paulatinamente mais penetrante,
Falta pouco. Não há mais que importe.

A matéria dilacerada arde,
Nunca é suficiente ser repugnante.
Não te escondas “Passos” cobarde.

Miguel Coelho









domingo, 2 de dezembro de 2012





Um raio de sol

Hoje um raio de sol apareceu,
Tímido porém sôfrego de liberdade.
Aqueceu um pouco a orfandade,
A lacuna que o intelecto sofreu.

A chuva ainda bate na minha face.
Recorda que o Inverno não acabou.
Assim, tudo o que a criança chorou,
Eterniza-se neste frágil enlace.

Miguel Coelho
 
 
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