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terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Súbito

Faltam lágrimas para chorar a tua morte,
O coração acanhado, pequeno e delicado
Não aguenta mais ver-te inerte, acostado,
Nesse suave féretro o teu último transporte.

Dor que suplanta o mais infame corte
De pele, carne, osso, tudo agravado
Por mil agulhas. O meu corpo cravejado!
Tu partiste. Há algo mais que importe?

Hoje não sou eu, nem tu, nem o mundo.
Só o pesar enquanto me afundo.

Miguel Coelho


terça-feira, 15 de janeiro de 2013


Verso vazio

Quando a chuva escorre pela figura,
Quedo e triste sinto-me um copo despido,
Num sentimento há muito esquecido.
Perdido em mim, perdi a mesura.

Embrulho-me nas palavras simples, vicio.
Sou um devaneio centrado no corpo,
Um turbilhão escrevendo num sopro.
Há algo pior do que um verso vazio?

A luta contra os moinhos de vento
Continua, enquanto mais um verso, tento.

Miguel Coelho


sábado, 12 de janeiro de 2013



Professor

Na aurora da vida humana,
A penumbra domina a consciência.
Os demónios oferecem resistência,
Os mitos mandam, como os contos da cigana.
Aos poucos o mestre afasta o demónio.
As letras aderem-se e fazem sentido,
Os números complicam… Ninguém está perdido.
Jesus já não ralha! Nada mais é sombrio.
Na escola aprendemos com o professor,
Hoje diminuído, mas sempre inventor
De gente em busca de um desafio.

Miguel Coelho


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


Nada

Não sou dono da razão, da virtude,
Ou excelência. Não sou dono de ti,
De um passado ou daquilo que sorri.
Não passo de uma sombra que se ilude.

Penso ter as mãos cheias de vontade.
Para construir algo desde o osso,
Todos os sacrifícios para ser vosso.
Porém nas mãos só tenho saudade.

Não possuo nada do que desfruto,
Só restas tu e algo mais, um minuto.

Miguel Coelho



 
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