Súbito
Faltam lágrimas para chorar a tua morte,
O coração acanhado, pequeno e delicado
Não aguenta mais ver-te inerte, acostado,
Nesse suave féretro o teu último
transporte.
Dor que suplanta o mais infame corte
De pele, carne, osso, tudo agravado
Por mil agulhas. O meu corpo cravejado!
Tu partiste. Há algo mais que importe?
Hoje não sou eu, nem tu, nem o mundo.
Só o pesar enquanto me afundo.
Miguel Coelho



