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quinta-feira, 27 de junho de 2013


Mutante

Pela fresta da janela ouço um ruído.
O som da mudança percorre o solo,
Entranha-se na pele até ao miolo.
Um propósito novo foi adquirido.

Do velho se fez um novo, dividido
Entre o passado com o seu consolo
E o futuro com possível dolo.
Hesitante deixa-se ficar dormido.

Dos sonhos nasce uma bela ideia.
Correr o caminho do destino,
Fugir do tempo e sua teia.

Miguel Coelho




 

 

segunda-feira, 24 de junho de 2013


A tua blusa

O suave bailado da tua blusa,
Esconde pouco e mostra menos.
Crescem pensamentos nada amenos,
Anseio fazer de ti minha reclusa.

O corpo apertado no tecido
Revela as curvas que desejo.
O mortal veneno que almejo,
Enfeitiça, torna-me teu valido.

Procuro conhecer o ignorado,
Ser vencido pelo tentado,
Mergulhar mesmo sendo punido.

Miguel Coelho



segunda-feira, 17 de junho de 2013


Os meus poetas

Canto as armas e os barões assinalados.
Canto o poeta fingidor e sua mensagem.
Canto os olhos azuis, perdidos na miragem,
De Bocage, personificador dos boémios aclamados.
Canto o livro de mágoas e seus figurados.
A fome e sede de infinito da breve passagem,
Da bela flor perdida na engrenagem,
Dos afetos não entendidos nem achados.
Canto a pequena menina do mar.
Desejosa de aprender o mundo. De avançar.
Conquistar a terra, conhecer o nome dos objetos.
Canto a alma dos poetas que não consigo imitar
E o amor magoado difícil de acompanhar.
Presenteio a minha vida pelos seus sonetos.

(para o Luís, o Fernando, o Manuel, a Florbela e a Sophia)

Miguel Coelho

quarta-feira, 12 de junho de 2013


Amor

Acredito no amor sem fronteira,
Perfeito perdido no mar irreal.
O amor autêntico assexual,
Capaz de saltar a mais alta barreira.
Acredito em ti, em mim, em toda a gente.
Só não acredito em quem não sente.

Acredito no amor pelo homem.
Quem sou eu para julgar?
Quem é o padre para ajuizar?
Afastem-se os que consomem
O amor alheio, o sopro dos distintos.
Não neguem nada, libertem-se dos labirintos.

Miguel Coelho



sábado, 1 de junho de 2013


Partilhar um momento

Existi demasiado tempo isolado!
Junto a mim, fechado na caverna.
Escondido como o urso que hiberna,
Poucas vezes fugi a este estado.

Resisti à mudança atrincheirado,
Porém a tua alegria era terna,
O toque doce e o saber uma lanterna.
Conduziste-me para o mundo sonhado.

A noite traz de volta toda a dúvida.
Aos primeiros raios de sol tudo se olvida.
No teu suave reflexo me acalento.

Estejamos debaixo de um temporal
Ou em busca de algo especial.
Todo o instante é o nosso momento.

Miguel Coelho



 
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