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terça-feira, 25 de setembro de 2012


Outono


Do meu quarto ouço o vento a sibilar…
Lá fora a chuva bate forte na janela.
No escuro alumio-me com uma vela,
Entre os clarões do dioso trovejar.

As árvores agarram-se bem forte ao chão,
O vento leva-lhes as folhas! Ingratidão…

A primeira tormenta marca fim,
Do Estio, tempo quente e do meu sorriso…
As cores do Outono revestem o piso,
Que percorro até a um vazio jardim.

Miguel Coelho


terça-feira, 18 de setembro de 2012


Criança

 
O catraio desdentado chuta uma bola.
Corre de imediato… A persegue.
Facilmente entendo como consegue,
Correr assim, sem sapato nem sola.

De sorriso rasgado percorre a aldeola:
“Bom dia tê Maria” diz com sotaque,
Esfomeado engole o doce e logo parte.
Desaparece na rua com uma cabriola.

O brilho no olhar esconde a pobreza,
Ampliada na falta dinheiro e rudeza,
Da família, que ele tanto quer e ama.

Bem forte, a mãe, o chama da rua.
Entra em casa suar, mas d’alma nua.
Não queria… Volta a entrar no drama.

Miguel Coelho




segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Mar


Sento-me no colo de uma duna,
Mergulhado nos seus braços tento o descanso…

Em frente da colina moldada pelo vento,
Esse, que sopra possantemente,
Esqueço-me de tudo, mesmo do tormento
Formado em terra, severo, incoerente…

Olho para o mar. Quero preencher a lacuna.
Escrevo umas palavras, mas depressa me canso.

Miguel Coelho


sábado, 1 de setembro de 2012


Inútil


Um pequeno verme rasteja p’lo talo,
De uma juvenil folha, que, sofregamente, brota.
 
Do cimo das pequenas folhas, uma gota,
Desce… molha a larva num doce embalo.
 
Tudo muda, o mundo gira e eu absorto,
Olho a natureza… Busco algum conforto.
 
Miguel Coelho
 
 
Bicho da Seda
 
 
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