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segunda-feira, 19 de novembro de 2012


Poema

 
Surge uma ideia do nada,
Fruto de um sentimento, uma intuição.
Uma palavra atrás da outra em busca da perfeição.
O pensamento vai-se montando a cada passada.
Em casa pego no lápis e papel.
Os termos que trouxe comigo,
Mesclam-se na mesa e eu os coligo,
Aconchegam-me como um suave burel…
A soberba não me tapa o sol.
O poema sempre viveu no espaço intemporal.
Eu?
Só uni as palavras.

Miguel Coelho


quinta-feira, 15 de novembro de 2012


Gosto de ti

Gosto de ti como a terra seca da água.
Gosto de ti como o colibri do néctar.
E como os planetas seguem o trilho no éter
Eu sigo o caminho que deixas na névoa.
                                                   
Gosto de ti como o pinguim da sua cria.
Gosto de ti como a abelha do doce mel.
Quero como a nossa Terra ter companhia.
Ajuda-me neste quadro. Ficas com um pincel?

Existem aves a quem chamam do amor.
São pequenas e frágeis, porém não precisam de mais.
Sê a minha ave num mundo encantador.

Miguel Coelho

Ave do Amor - Agapornis personatus

quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Pai

Uma, duas, três semanas de sofrimento,
Num hospital nos idos de Dezembro.
A avó fez tudo, e hoje comemoro.
Não o quis perder no dia do nascimento.

Eram os sessenta da revolução das cores,
Que guiavam o mundo livre.
Em Portugal pontificava o torpe.
Enviava os jovens para o conflito dos horrores!

O teu ausente pai partiu cedo…
Escondeste da multidão a dor sentida.
Cresceste magoado sem saída.
Coitado do bastardo embutido neste enredo

Conheces a mãe desde o berço.
Partilharam brincadeiras, estudo e paixão.
Hoje penso nisto e fico com a sensação,
De que vos devo um ou outro verso.

Miguel Coelho


terça-feira, 13 de novembro de 2012


Há dias assim…

Tem dias que o pranto não apaga a dor.
Tem dias em que a manta não aquece.
Nesses dias em que o bom se esquece,
Perco-me, não atinjo aquele sonhador.

Lá fora a chuva fria bate na telha,
Um arrepio percorre o meu corpo,
Nem na cama consigo algum conforto.
Só quero alguém que acenda a centelha.

Hoje, a Terra gira vagarosamente.
Eu só quero que o dia acabe, imediatamente.

Miguel Coelho


sábado, 3 de novembro de 2012


Corcel


Corres velozmente pelos trilhos da vida!
Cavalo de corrida, criador de sonhos.
Encantas o coração dos mais tristonhos.
Nem as agruras do tempo instalam dúvida.

Nasceste do pó mais simples belo corcel!
Não estavas confiante neste mundo lânguido,
Na primeira luta venceste e vi-te erguido.
Foste a luz divina no centro daquele tropel.

Estavas no cimo quando chegou a derrota,
Porém, não a sentiste mais que uma minúscula gota.

Miguel Coelho


 
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