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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


Construção da alma
 
Menos de oito mil curtas gerações,
Nos separam do zombie psicológico.
Humano rude e pouco ou nada rico,
Em ideias, vivências e sensações.

Luz tremola impõe-se entre negrumes,
Conquista espaço, ganha alento.
O cérebro perdido agora sedento
A informação jorra, guarda os costumes.

Entre o antes e agora uma mudança,
O corpo ganha alma e uma herança.

Miguel Coelho


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


O meu coração bate

Encosto o dedo e tomo o pulso,
Embalo no ritmo do batimento.
Um viajante distraído no movimento,
Do tempo que passou algo convulso.

A batida acompanha-me eternamente.
Desde a juventude cheia de idealismos,
Passando pela infância e seus baptismos.
Do coração embrionário sou descendente.

A história deste coração e sua existência,
Leva-me ao encontro dos antepassados
Lusos, ibéricos, gregos e até romanos.

Porém o Homem não inicia a sequência.
Mamíferos, répteis, anfíbios, animais marinhos
E mais os vermes. Não caminhamos sozinhos.

Miguel Coelho


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


Dia cinzento

Acorda-me quando o Inverno acabar.
E no sussurro a primeira flor possa florir.
Mas só quando o cinzento choroso partir,
O frio for embora e o destino chegar.

Miguel Coelho


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


No meu jardim

No meu jardim vivem dez mil formigas,
Num pequeno formigueiro apinhado.
Com a formiga pretendo ser comparado,
Não com a cigarra e suas mil cantigas.

No meu jardim vivem duas toupeiras.
Enamoradas e perdidas nas suas galerias,
Escondem-se do sol e suas tiranias
Ocultam os olhos e algumas cegueiras.

O meu jardim é visitado por um pisco,
De peito laranja e corpo cilíndrico.
O seu canto melodioso e tão específico,
Desconcentra-me enquanto rabisco.

Miguel Coelho


sábado, 2 de fevereiro de 2013


Dançando com fantasmas

Será que somos como a estrela?
O brilho de algo há muito perecido.
Do grande estampido ficou um grunhido.
Hoje representamos só uma parcela.

Será que somos projecções do passado?
O reflexo dos nossos pais no presente.
De aspecto jovem, porém nada coerente,
Com a alma milenar num corpo fechado.

Será que fugimos enquanto sonhamos?
Dançamos com fantasmas e monstros estranhos.

Miguel Coelho


 
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