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terça-feira, 30 de abril de 2013


Criação

Criado como homeose de deus,
Pronto para dominar toda a criatura
O Humano garboso de bela figura
Junto de Eva, fica longe dos seus.

Singelos os crentes nos contos judeus.
Acham que cruzaram o rio sem jangada?
Não se fazem castelos sem areia molhada.
Os devaneios quiméricos são só teus.

A criação surgiu sem toque divino.
Esse corpúsculo no oceano um bailarino,
Solitário divide-se e desfruta a companhia.

Miguel Coelho


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quarta-feira, 24 de abril de 2013


Bastardo

Quando a consciência despertou,
O reflexo na água passamos a ser nós.
Seres convencidos, esquecemos os avós.
E um mundo sem mistérios nos saudou.

Um globo infinito depressa minguou.
E ao lusco-fusco chegamos à foz,
Acabando o reinado do mais feroz.
Depressa a substância a nós se curvou.

O nevoeiro da nova tecnologia,
Encheu o coração de hipocrisia,
Sentimo-nos bastardos e abalamos.

Hoje, recupero o cheiro da terra,
O aroma do ar e o toque da serra.
O sabor das coisas? Juntos provamos.

Miguel Coelho



 

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Sol de Primavera

Como sabe bem o sol da Primavera.
Desperta a pele para os sons.
Após seis meses, voltaram os tons.
Finda a penumbra, morta a fera.

Dá a tua mão, larga a espera.
Vem correr comigo, aparta o senão.
Deixa o sol entrar, rasga mais um botão.
Acabou o desânimo que dilacera.

Não voltes para mim triste frio,
De olhos chorosos e enfermo arrepio.
Longe de ti fico mais perto de mim.

Miguel Coelho


sexta-feira, 12 de abril de 2013


Esperança

Hoje senti o coração acanhado.
O azul do céu levou-me ao tempo ido,
Quando era pequeno, mal nascido
E o mundo perfeito com um rebuçado.

Ainda aqui está, mas já me deixou.
Os olhos que me ligam ao mar,
Estão vazios não a deixam apegar,
À criança que fui. Ao neto que sou.

A sua voz distinta desapareceu,
Como toda a dor que um dia sofreu.
Hoje no mundo você está só.

A doença levou-lhe a lembrança,
A alma, a figura e a esperança.
Mas ficaram as saudades de si, avó.

Miguel Coelho


quarta-feira, 10 de abril de 2013


Um toque de ti

Passou muito tempo desde a ligação.
Hoje sou diferente! Tu a culpada.
Um toque de ti essa nova lufada,
Gerou a tormenta mudou a direção.

O aroma desnudou-se na nova estação.
O luar abençoou a nossa caminhada.
Esse toque de ti nesta balada,
Fez de mim o príncipe. Matou o dragão.

Esqueci o tempo antes do toque,
Suave e aveludado um berloque.
Antes de ti, nada em mim descubro.

Miguel Coelho


segunda-feira, 8 de abril de 2013


Mãos suaves

No percurso sinuoso da existência,
Perdi o rasto da tua substância.
Deixei-me vencer pela arrogância,
Sobrou pouco mais que a impotência.

Sinto falta da idade da inocência,
Das mãos suaves da nossa infância.
Das férias, o tempo todo, numa estância.
Das brincadeiras, a salutar convivência.

Aquele abraço que a tristeza dissolvia,
Diluiu-se no engano da ironia.
Olho para trás, não vejo o elo.

Algo passou ao longo deste traço,
Perdi a mão, o braço e o abraço.
Só não perdi a força neste apelo.

Miguel Coelho


 
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