Ladra
As lágrimas transformaram-se em areia,
Que evaporou do rosto agora seco.
O coração ficou mudo e não peco.
Mesmo a alma ficou sem a luz da candeia.
Os pés caminharam por terra despejada
Desnudos de roupa e de alguma ideia.
Em busca incessante da tela cheia,
De uma alegre e farta risada.
Porém o vagante foi roubado,
Sem saber montaram-lhe uma cilada.
A cicatriz do coração foi curada,
E um sorriso no rosto pintado.
Miguel Coelho

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