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terça-feira, 18 de setembro de 2012


Criança

 
O catraio desdentado chuta uma bola.
Corre de imediato… A persegue.
Facilmente entendo como consegue,
Correr assim, sem sapato nem sola.

De sorriso rasgado percorre a aldeola:
“Bom dia tê Maria” diz com sotaque,
Esfomeado engole o doce e logo parte.
Desaparece na rua com uma cabriola.

O brilho no olhar esconde a pobreza,
Ampliada na falta dinheiro e rudeza,
Da família, que ele tanto quer e ama.

Bem forte, a mãe, o chama da rua.
Entra em casa suar, mas d’alma nua.
Não queria… Volta a entrar no drama.

Miguel Coelho




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