Criança
O catraio desdentado chuta uma bola.
Corre de imediato… A persegue. Facilmente entendo como consegue,
Correr assim, sem sapato nem sola.
De sorriso rasgado percorre a aldeola:
“Bom dia tê Maria” diz com sotaque,Esfomeado engole o doce e logo parte.
Desaparece na rua com uma cabriola.
O brilho no olhar esconde a pobreza,
Ampliada na falta dinheiro e rudeza,Da família, que ele tanto quer e ama.
Bem forte, a mãe, o chama da rua.
Entra em casa suar, mas d’alma nua.Não queria… Volta a entrar no drama.
Miguel Coelho

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