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quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Pai

Uma, duas, três semanas de sofrimento,
Num hospital nos idos de Dezembro.
A avó fez tudo, e hoje comemoro.
Não o quis perder no dia do nascimento.

Eram os sessenta da revolução das cores,
Que guiavam o mundo livre.
Em Portugal pontificava o torpe.
Enviava os jovens para o conflito dos horrores!

O teu ausente pai partiu cedo…
Escondeste da multidão a dor sentida.
Cresceste magoado sem saída.
Coitado do bastardo embutido neste enredo

Conheces a mãe desde o berço.
Partilharam brincadeiras, estudo e paixão.
Hoje penso nisto e fico com a sensação,
De que vos devo um ou outro verso.

Miguel Coelho


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