Pai
Uma, duas, três semanas de sofrimento,
Num hospital nos idos de Dezembro.
A avó fez tudo, e hoje comemoro.Não o quis perder no dia do nascimento.
Eram os sessenta da revolução das cores,
Que guiavam o mundo livre.Em Portugal pontificava o torpe.
Enviava os jovens para o conflito dos horrores!
O teu ausente pai partiu cedo…
Escondeste da multidão a dor sentida.Cresceste magoado sem saída.
Coitado do bastardo embutido neste enredo
Conheces a mãe desde o berço.
Partilharam brincadeiras, estudo e
paixão.Hoje penso nisto e fico com a sensação,
De que vos devo um ou outro verso.
Miguel Coelho

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