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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Corte

 
Cortas aqui, ali e talvez acolá,
Cortas o ânimo e até a veia.
Tapas os olhos, atiras com areia,
Porém mais cortes, afirmo. Não dá.

Já foi o tempo do miraculoso maná,
Da ilusa abundância, da boca cheia.
Da luz num clic! Agora numa candeia.
Hoje vai a carne, amanhã o osso, quiçá.

Ficaste hábil na arte do corte,
Paulatinamente mais penetrante,
Falta pouco. Não há mais que importe.

A matéria dilacerada arde,
Nunca é suficiente ser repugnante.
Não te escondas “Passos” cobarde.

Miguel Coelho









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