Corte
Cortas o ânimo e até a veia.
Tapas os olhos, atiras com areia,
Porém mais cortes, afirmo. Não dá.
Já foi o tempo do
miraculoso maná,
Da ilusa abundância,
da boca cheia.Da luz num clic! Agora numa candeia.
Hoje vai a carne, amanhã o osso, quiçá.
Ficaste hábil na arte
do corte,
Paulatinamente mais
penetrante,Falta pouco. Não há mais que importe.
A matéria dilacerada arde,
Nunca é suficiente ser repugnante.Não te escondas “Passos” cobarde.
Miguel Coelho

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