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terça-feira, 2 de outubro de 2012


Voar


Percorro os trilhos da minha aldeia.
Olho em volta e deixo-me esmagar.
O tempo passa no meu relógio de areia.
Estou preso à terra, mas quero voar.

O aroma desta terra corre nas veias,
De gente com histórias para lembrar.
Homens e mulheres de vida cheias,
Contudo, estou preso à terra e quero voar.

Nas minhas mãos sinto o pulsar da seiva,
Que sobe o tronco da envelhecida oliva.

Enlaçado à árvore, reparo numa aranha a baloiçar,
Na sua teia, capturando o inseto mais distraído.

Embeiçado observo o mundo diminuído.
Porém, como gostava puder voar.

Miguel Coelho


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