No
meu jardim
No meu jardim vivem dez mil formigas,
Num pequeno formigueiro apinhado.
Com a formiga pretendo ser comparado,
Não com a cigarra e suas mil cantigas.
No meu jardim vivem duas toupeiras.
Enamoradas e perdidas nas suas galerias,
Escondem-se do sol e suas tiranias
Ocultam os olhos e algumas cegueiras.
O meu jardim é visitado por um pisco,
De peito laranja e corpo cilíndrico.
O seu canto melodioso e tão específico,
Desconcentra-me enquanto rabisco.
Miguel Coelho

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