Bastardo
Quando a consciência despertou,
O reflexo na água passamos a ser nós.Seres convencidos, esquecemos os avós.
E um mundo sem mistérios nos saudou.
Um globo infinito depressa minguou.
E ao lusco-fusco chegamos à foz,Acabando o reinado do mais feroz.
Depressa a substância a nós se curvou.
O nevoeiro da nova tecnologia,
Encheu o coração de hipocrisia,Sentimo-nos bastardos e abalamos.
Hoje, recupero o cheiro da terra,
O aroma do ar e o toque da serra.O sabor das coisas? Juntos provamos.
Miguel Coelho

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