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sexta-feira, 12 de abril de 2013


Esperança

Hoje senti o coração acanhado.
O azul do céu levou-me ao tempo ido,
Quando era pequeno, mal nascido
E o mundo perfeito com um rebuçado.

Ainda aqui está, mas já me deixou.
Os olhos que me ligam ao mar,
Estão vazios não a deixam apegar,
À criança que fui. Ao neto que sou.

A sua voz distinta desapareceu,
Como toda a dor que um dia sofreu.
Hoje no mundo você está só.

A doença levou-lhe a lembrança,
A alma, a figura e a esperança.
Mas ficaram as saudades de si, avó.

Miguel Coelho


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