Mãos
suaves
No percurso sinuoso da existência,
Perdi o rasto da tua substância.Deixei-me vencer pela arrogância,
Sobrou pouco mais que a impotência.
Sinto falta da idade da inocência,
Das mãos suaves da nossa infância.Das férias, o tempo todo, numa estância.
Das brincadeiras, a salutar convivência.
Aquele abraço que a tristeza dissolvia,
Diluiu-se no engano da ironia.Olho para trás, não vejo o elo.
Algo passou ao longo deste traço,
Perdi a mão, o braço e o abraço.Só não perdi a força neste apelo.
Miguel Coelho

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