Agoirento
Sobrevoa-me o abutre agoirento.
Impede-me de pensar e sentir.Não deixa o dia de ontem partir.
O amanhã não passa de um alento.
O decrépito azul que afugento
Esconde o vermelho a carpir.Não aguento em mim este fingir,
De que o chão não está lamacento.
O velho quebra-ossos continua,
A distrair os outros enquanto gradua,A classificação que ninguém entende.
O sorriso doce nada esconde,
Porém a verdade nunca responde.Jogar assim, ninguém compreende.
Miguel Coelho

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