Manhã
Vejo um corpo lançado no meu leito.
Recorda-me a noite que já esqueci,Inebriado no álcool que usufruí.
O vulto despido veste-me a preceito.
O pedaço de lençol imperfeito,
Pouco encobre, porém não saí.Olvidada nos sonhos levemente sorri.
Da poltrona este quadro aproveito.
A primeira centelha toca o rosto
segredado.
Ilumina, de soslaio, o cabelo amendoado.Busco o comando, desejo parar o momento.
Arrebatado, percorro lentamente a pele
Aguardo que o peito desnudo se revele.
A esquecida desperta, encontra o meu alento.
Miguel Coelho

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