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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Célula

Oceano orgânico de chuva antiga.
Mar temperado, caldo primitivo.
Planeta jovem de aspeto repulsivo.
Um aglomerado no interior abriga.

Pobres aglutinados, os coacervados
Chocam, entre eles, eternamente.
Reproduzem-se espontaneamente
Surgindo entes nada organizados.

De início, uma pequena cela,
Desprovida de alma, sem tutela.
Mas algo de diferente abriga.

O potencial de mudar pela união,
O inanimado em algo com razão.
E a matéria bruta tomou vida.

Miguel Coelho

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