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terça-feira, 10 de julho de 2012

Sonho


Sonho que escrevo o sentimento.
O meu, quando grafo estas palavras.
Não sou só carne devorado por larvas,
Sou o afeto que clamo no isolamento.

Sonho que importo no tempo de alguém.
Tempo que se fabrica unido ao cosmos.
Passado e futuro unidos pelos destroços,
Do presente construído aqui e no além.

Sonho que digito nos ombros dos notáveis,
Que os meus versos são inesgotáveis.
Poeta valoroso que canta o que vive.

Acordo! E não passo de alguém mediano.
Quero acreditar que seja só um engano,
Deste inconstante cérebro que retive.

Miguel Coelho


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