Sonho que escrevo o sentimento.
O meu, quando grafo estas palavras.Não sou só carne devorado por larvas,
Sou o afeto que clamo no isolamento.
Sonho que importo no tempo de alguém.
Tempo que se fabrica unido ao cosmos.Passado e futuro unidos pelos destroços,
Do presente construído aqui e no além.
Sonho que digito nos ombros dos notáveis,
Que os meus versos são inesgotáveis.Poeta valoroso que canta o que vive.
Acordo! E não passo de alguém mediano.
Quero acreditar que seja só um engano,Deste inconstante cérebro que retive.
Miguel Coelho

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