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sábado, 4 de agosto de 2012


Gota de água

Da serrania brota a jovem gota,
Seguida por milhões de irmãs.
A longa jornada de muitas manhãs,
Começa no riacho que define a rota.

Algumas não seguem viagem,
O Sol aquece-as, unem-se em nuvens.
Arrefece, cristalizam em estrelas virgens.
A nossa gota completa essa imagem.

Acorda aos primeiros raios de sol,
Já não flutua no azul do firmamento,
Agora, cintila na carapaça de um caracol.
Mas sente a frieza do isolamento.

Devagar, desliza do pequeno molusco.
Desprende-se, cai, ressalta numa folha.
Um inseto desvia-se num gesto brusco,
Mergulha no solo como se tivesse escolha.

Miguel Coelho


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