Morte
Bem-aventurada sejas, oh morte.
Aparecendo de entre a escuridão.
Vem! Possui-me, que eu não tenho sorte.
Leva-me para a imensidão.
Sinto que não possuo nada meu.
Nada vejo que me faça ficar cá.
Célere passagem leva-me para lá.
Encontra espaço para um ateu.
Estranho este sentimento obscuro.
Luto contra ele, mas sou imaturo.
Agarro-me às raízes! Rendo-me, caio.
Bato nesse chão, sinto o seu odor.
Como um animal deslizo no meu suor.
Levanto-me… Tento mais um ensaio.
Miguel Coelho

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